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Quem foi Suzana Dias, a matriarca de Santana de Parnaíba

Mameluca nascida no século 16, ela chegou ao Tietê com a família, teve 17 filhos e deixou descendentes ligados à fundação de Sorocaba, Itu e Porto Feliz.
Esculturas de bronze em uma canoa no Monumento aos Bandeirantes, entre elas a de Suzana Dias
Monumento aos Bandeirantes, em Santana de Parnaíba: Suzana Dias é a primeira figura do conjunto.

Suzana Dias dá nome a uma rua do centro histórico de Santana de Parnaíba e à Escola SENAI do bairro Fazendinha. A cidade a trata como fundadora, ao lado do filho André Fernandes. Os documentos que restam são poucos, e as fontes não concordam em todos os detalhes: este texto aponta onde elas divergem.

Origem e família

Segundo a pesquisa da historiadora Alida Metcalf, citada em artigo da ASBRAP (Associação Brasileira de Pesquisadores de Genealogia), Suzana nasceu em Bertioga. Era filha do português Lopo Dias e da indígena Beatriz, e teve irmãos como Belchior Dias Carneiro, Afonso Dias, Catarina Dias e Isabel Nogueira.

A ligação com o cacique Tibiriçá é contada de dois jeitos. O SENAI-SP e a maioria dos textos a chamam de neta dele. Na genealogia reproduzida por Metcalf, que passa por Bartira e João Ramalho, ela apareceria como bisneta. O artigo da ASBRAP aponta essa inconsistência.

O nascimento também varia. O SENAI-SP adota 1553. Em um processo de 1621-1622 sobre o padre José de Anchieta, Suzana disse ter 12 anos em 1564, o que sugere c. 1552.

Casamento e chegada ao Tietê

Metcalf data o casamento com o português Manuel Fernandes Ramos em torno de 1570. Ele foi vereador em São Paulo e, por volta de 1580, subiu o rio Tietê até a cachoeira de Parnaíba, onde pediu terras (sesmaria). Depois de ficar viúva, Suzana recebeu uma concessão de terras que deu origem ao povoado. Ela e um dos filhos construíram uma capela a Sant'Ana. Há registros de que a primeira ocupação do local seria anterior, por volta de 1561.

Suzana não sabia ler nem escrever, mas, como matriarca, administrava os bens da família.

Os filhos

Metcalf e o SENAI falam em 17 filhos do primeiro casamento. Outros registros falam em 19 filhos e citam um segundo marido, Belchior da Costa. Entre os nomes registrados:

  • André Fernandes: capitão e bandeirante, apontado como cofundador de Parnaíba.
  • Baltazar Fernandes: ligado ao povoamento da região de Sorocaba.
  • Domingos Fernandes: citado como fundador de Itu pelo SENAI. Metcalf o liga a uma capela de Nossa Senhora da Candelária, no Salto de Ituguaçu, que originou Porto Feliz.
  • Catarina Dias: casada com Antônio Rodrigues Velho. Metcalf a lista também como irmã de Suzana, outra inconsistência apontada.
  • Custódia Dias: casada com o mineralogista alemão Geraldo Beting, morto entre 1610 e 1611.

A família usou mão de obra indígena e a captura de indígenas (preação). Metcalf menciona o aldeamento de Barueri, com 500 a 600 guaranis em 1612.

Vila, testamento e morte

Parnaíba foi elevada a vila em 14 de novembro de 1625, com câmara própria. Em 1628, doente, Suzana ditou o testamento. Pediu trinta missas e o sepultamento na capela de Sant'Ana. O padre assinou por ela. Morreu em 1634, e o inventário lista duas sesmarias.

André Fernandes e Suzana doaram terras ao Mosteiro Beneditino, instalado a partir de 1643.

Legado

O nome de Suzana Dias está em uma rua do centro histórico, na escola do SENAI e em monumentos da cidade. Seus descendentes avançaram para o oeste por cerca de dois séculos.

Com informações de