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A 12 dias da eleição, Lula anuncia o Prospera MEI

O Prospera MEI prevê perdão de dívidas, compra de dívidas de bancos e repasse de até R$ 5 mil, mas parte das medidas ainda depende do Congresso.
Lula segura decreto assinado ao lado de microempreendedores no Palácio do Planalto, com painel Prospera MEI ao fundo
Presidente Lula anuncia pacote de medidas para MEIs no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert

O governo Lula anunciou nesta terça-feira, 13 de outubro, no Palácio do Planalto, o Prospera MEI, um pacote para os microempreendedores individuais (MEI). O anúncio foi feito a 12 dias do segundo turno. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 47% dos votos válidos e Lula, 45%.

O maior item é o perdão de dívidas de MEI inscritas na Dívida Ativa da União, referentes ao DAS. A proposta cancela 100% do débito, incluindo principal, multas e juros. Segundo o ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, o benefício alcança 3,6 milhões de MEIs, com R$ 12,6 bilhões em dívidas. O texto precisa ser aprovado pelo Congresso como projeto de lei complementar. Não há cadastro nem ida a órgão público, mas o MEI precisa pagar o DAS em dia nos seis meses seguintes à entrada em vigor. Se a lei for aprovada, a vigência prevista é 1º de janeiro de 2027. Não há reembolso de valores já pagos.

O governo também quer comprar carteiras de dívidas de MEIs com bancos, somando cerca de R$ 6 bilhões, pelo programa Desenrola 3.0. A compra será feita por edital de leilão, com desconto mínimo de 90% e prioridade para as carteiras com maiores descontos. Essa etapa não depende do Congresso, e o MEI não precisa fazer nada. O governo estima cerca de 1,6 milhão de beneficiados. Lula disse que espera reduções de até 95%.

O Pix MEI é um apoio financeiro de até R$ 5 mil, não reembolsável, para investimento produtivo, como equipamentos, reforma do espaço ou veículo de entrega. Lula afirmou que não é empréstimo. Haverá prioridade para mulheres empreendedoras de menor faturamento, com apoio técnico do Sebrae. O governo estima cerca de 1 milhão de MEIs atendidos em quatro anos, com até R$ 5 bilhões. A página oficial diz que o programa ainda está em estruturação e regulamentação, e não detalha como pedir.

O pacote também quer elevar o limite de faturamento anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027, e para R$ 140 mil em 2028. A proposta, no projeto de lei complementar 186/2026, permite contratar até dois empregados formais, e hoje é um. O projeto foi enviado ao Congresso em 29 de junho, segundo a Câmara, e a Câmara discute a matéria em comissão especial. O Ministério do Planejamento estima impacto de R$ 2 bilhões por ano. O governo apresenta a proposta como contrapartida à PEC que acaba com a escala 6 x 1, o que liga o tema do MEI à disputa no Congresso. Depende de votação no Congresso. Um decreto de vigência imediata também dispensa nota fiscal em vendas para pessoa física, que continua obrigatória para vendas a empresas e órgãos públicos. A reforma tributária prevê um nano MEI a partir de 2027, para quem fatura até R$ 40 mil por ano, sem exigência de CNPJ nem nota fiscal nas vendas a pessoas físicas.

Medidas do governo desde o primeiro turno

  • 6 de outubro: sites e aplicativos de apostas online deveriam sair do ar. A proibição foi decretada por medida provisória em 25 de setembro.
  • 9 de outubro: o governo reduziu tributos federais sobre a gasolina, de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, por 30 dias. O subsídio do etanol subiu de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro. O governo estima R$ 5,2 bilhões em 30 dias, com R$ 3,6 bilhões para gasolina e etanol e R$ 1,6 bilhão para diesel importado.
  • 9 de outubro: foi criada uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro para o diesel importado, somada aos R$ 2,12 já previstos.
  • 13 de outubro: anúncio do Prospera MEI, com perdão de dívidas, compra de dívidas de bancos e Pix MEI.
  • 19 de outubro (previsto): começam os pagamentos do Bolsa Família com o reajuste anunciado em setembro. O benefício mínimo sobe de R$ 600 para R$ 691.

Contrata+ Brasil: o governo como cliente do MEI

Pelo programa Contrata+ Brasil, o governo compra serviços de MEIs por um canal simples, por WhatsApp, em contratações de até R$ 13 mil. Agora, os MEIs terão prioridade em contratações públicas de até R$ 30 mil. Segundo post da ministra no Instagram, o programa já tem mais de 27 mil MEIs e mais de 2 mil órgãos públicos contratando, com 272 tipos de serviço. A ministra diz que empresas privadas poderão contratar em breve, sem informar data.

O que recebe o MEI que paga o DAS em dia

Hoje o DAS custa entre R$ 82,05 e R$ 87,05 por mês, conforme o ICMS e ou o ISS da atividade. Com o imposto em dia, o MEI tem cobertura do INSS, em regra de um salário mínimo, para aposentadoria por idade, auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por incapacidade permanente, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão. Também tem CNPJ ativo, linhas de crédito como o ProCred 360 e acesso facilitado a compras públicas pelo Contrata+Brasil.

Benefícios temporários em 2022 e em 2026

Em 2022, o Congresso aprovou a Emenda Constitucional 123, a chamada PEC Kamikaze, no governo Jair Bolsonaro. Ela declarou estado de emergência por causa do preço dos combustíveis e liberou cerca de R$ 41 bilhões em gastos. Os recursos pagaram Auxílio Brasil de R$ 600, R$ 1.000 para caminhoneiros, vale-gás e redução de tributo sobre biocombustíveis, além de repasses a estados e municípios.

Em 1º de agosto de 2024, o STF derrubou a emenda, por 7 votos a 2, por liberar recursos em ano eleitoral. Quem já recebeu não precisa devolver o dinheiro. A decisão não trata de aposentadorias.

Em 2026, o governo também adotou medidas temporárias, como a redução de tributos federais sobre a gasolina, decidida em 9 de outubro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou: "Não tem nenhuma mudança em relação ao timing eleitoral por conta do anúncio". Na comparação com a EC 123, a diferença está no alvo: a emenda pagou benefícios a grupos específicos, enquanto a redução de imposto alcança todos que abastecem.

O que a lei eleitoral permite

A Lei das Eleições (Lei 9.504, de 1997) proíbe que o governo distribua de graça bens, valores ou benefícios no ano da eleição. A regra, no artigo 73, parágrafo 10, tem exceções: calamidade pública, estado de emergência e programas sociais autorizados em lei e que já estavam em execução no ano anterior. Há debate sobre o que conta como "já em execução" e sobre se um decreto basta para autorizar um programa.

O reajuste do Bolsa Família é um programa permanente. O candidato Renan Santos pediu ao TSE que o reajuste fosse barrado.

Sobre o Pix MEI, o governo diz que o benefício começaria a partir de 2027, depois da eleição. Até a publicação desta matéria, não havia decisão do TSE sobre o caso, nem sobre a redução de tributos sobre a gasolina.

Com informações de