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Inteligência artificial no dia a dia: para que serve e onde ela erra

Cerca de um terço dos usuários de internet no Brasil já usa IA generativa. Veja usos simples, onde ela erra e como proteger seus dados pessoais.
Mulher e homem de meia-idade sentados lado a lado à mesa da sala, olhando a tela de um notebook ao pôr do sol
Cerca de um terço dos usuários de internet no Brasil já usou IA generativa, segundo o Cetic.br.

Cerca de um terço dos usuários de internet no Brasil usou ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa nos três meses anteriores à pesquisa TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, centro de estudos ligado ao Comitê Gestor da Internet. Quem usa costuma pedir ajuda para tarefas simples. Mas essa tecnologia também erra com muita segurança, e saber onde ela falha faz parte de usá-la bem.

O que é IA generativa

São programas, como os chatbots, que criam conteúdo novo a partir do que aprenderam: textos, imagens, resumos, traduções. Você escreve um pedido, e o sistema responde. A resposta parece natural, mas não é fruto de entendimento. O sistema trabalha com padrões estatísticos de linguagem.

Quem já usa e para quê

Entre os usuários de IA generativa, 84% usam para fins pessoais, 53% para estudos e 50% em atividades profissionais. As porcentagens passam de 100% porque a mesma pessoa pode usar de mais de um jeito.

O uso ainda é desigual. Segundo a pesquisa, 69% dos usuários de internet da classe A usaram essas ferramentas, e o índice é de 59% entre quem tem ensino superior. Entre quem não usa, 58% apontam falta de habilidade e 63% citam preocupação com segurança e privacidade.

As IAs mais usadas no mundo

Não há ranking oficial de uso por ferramenta no Brasil. A medição mais ampla é a da Similarweb, empresa de análise de tráfego, que conta as visitas aos sites de IA generativa no mundo todo. A posição de cada ferramenta muda com o tempo.

Para que serve cada uma

1ChatGPT

Assistente da OpenAI. Responde perguntas, escreve e resume textos e trabalha com imagens.

Acessar chatgpt.com

2Gemini

Assistente do Google. Responde perguntas, ajuda a escrever e funciona com a conta Google.

Acessar gemini.google.com

3Claude

Assistente da Anthropic, usado para escrever, revisar e analisar textos e documentos.

Acessar claude.ai

4DeepSeek

Assistente da empresa chinesa DeepSeek. Ajuda com textos e programação.

Acessar chat.deepseek.com

5Grok

Assistente da xAI, ligado à rede social X. Conversa sobre assuntos variados.

Acessar grok.com

6Copilot

Assistente da Microsoft, usado no navegador e em produtos da empresa.

Acessar copilot.microsoft.com

7Perplexity

Buscador com IA que responde às perguntas e mostra as fontes consultadas.

Acessar perplexity.ai

Todas funcionam de modo parecido e têm os mesmos limites: podem errar e recebem os dados que você digita. Os cuidados mais adiante valem para qualquer uma delas.

Cinco usos simples para o dia a dia

  • Explicar um assunto. Peça uma explicação em linguagem simples, como se fosse para um adolescente.
  • Resumir um texto longo. Cole o trecho e peça os pontos principais.
  • Rascunhar uma mensagem. Peça uma versão de e-mail ou recado e revise antes de enviar.
  • Organizar a rotina. Listas de compras, tarefas da semana ou um roteiro de passeio.
  • Traduzir e revisar textos curtos. Útil para conferir ortografia e clareza.

Nos cinco casos, a regra é a mesma: o resultado é um ponto de partida. A decisão e a revisão continuam sendo suas.

Onde a IA erra

A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) alerta que esses sistemas podem produzir texto plausível, porém falso, o que é chamado de "alucinação". Como funcionam por padrões estatísticos, eles também podem gerar respostas que não fazem sentido.

Na prática, vale conferir em fonte oficial qualquer dado importante: números, datas, nomes, leis e orientações de saúde. Desconfie de respostas muito seguras e sem fonte. Se o sistema citar um documento ou um link, abra e confirme que ele existe e diz o que foi afirmado.

Cuidado com os seus dados

A ANPD também aponta o risco de o usuário compartilhar dados pessoais nos pedidos que digita, inclusive dados sensíveis, como registros médicos, sem conhecer bem como essa informação será tratada.

Por isso, evite colocar CPF, senhas, dados bancários, documentos e exames nas conversas. Se precisar de ajuda com um texto que contenha dados de alguém, apague os nomes e números antes de colar. E vale olhar as configurações de privacidade da ferramenta que você usa.

Um jeito de começar

Comece por tarefas pequenas, em que você consegue julgar se o resultado está bom: explicar um conceito, organizar uma lista, melhorar um parágrafo. Trate a IA como uma assistente, e não como uma fonte. Quanto mais importante for a informação, mais você deve conferir por conta própria.

Com informações de