O governo estima injetar cerca de R$ 271 bilhões na economia ao longo de 2026, em um pacote de medidas divulgado em setembro, em ano eleitoral. Os maiores itens são a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, a subvenção ao diesel e o crédito para caminhões e ônibus.
O que está previsto
A isenção do Imposto de Renda custa R$ 31 bilhões. Quem ganha até R$ 5 mil fica isento, e há isenção parcial até R$ 7.350 por mês. Segundo o governo, a medida é compensada por uma tributação mínima sobre os super-ricos.
A subvenção ao diesel também soma R$ 31 bilhões. Inclui R$ 1,20 por litro de diesel importado e R$ 0,32 por litro para produtores e importadores, a partir de 12 de março de 2026, além da redução de tributos federais sobre o combustível.
O programa MOV, com linhas de crédito para compra de caminhões e ônibus, tem R$ 21,2 bilhões previstos. O Desenrola 2.0 permite usar até 20% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para renegociar dívidas, com potencial de R$ 8,2 bilhões. O Gás do Povo distribui botijões gratuitos para 15,5 milhões de famílias, com R$ 5,1 bilhões.
A conta de 2027
Analistas afirmam que as medidas exigirão ajuste nas contas públicas em 2027. Segundo a IFI (Instituição Fiscal Independente, do Senado), o cenário aponta déficit primário real de R$ 86,1 bilhões no ano que vem, e seria preciso bloquear R$ 35,7 bilhões em gastos discricionários para cumprir as regras fiscais.
O reajuste do Bolsa Família não estava no projeto de Orçamento de 2027 enviado ao Congresso, o que exigirá alterações no texto.

